Transição Capilar em Companhia

segunda-feira, 6 de abril de 2020 Postado Por: umapamplona


Um post sobre superar em companhia...

Desde quando a gente pode contar que começou uma transição capilar? Será que nem gravidez? Conto a última vez que fiz química de alisamento? Se for assim, a minha transição começou em dezembro de 2017. Antes da CCXP daquele ano eu fiz pela última vez química para alisar o cabelo. 
Comecei aos 18 e fico abismada e triste toda vez que fico sabendo que algumas mulheres começam bem mais jovens, na adolescência ou na infância! Isso foi quase metade da minha vida e não só porque "é mais fácil", mas a pressão estética com esse foco eurocêntrico (pele mais clara, cabelos lisos, muitas vezes coloridos para os tons de louro) é pesado em mulheres. Você tem que se comportar dessa maneira, sentar de tal maneira, falar de um certo tom... Uma pancada de coisas, mas vamos voltar aos cabelos... 
Depois de tantas e tantas tentativas (povo do twitter que o diga com eu pedindo dicas quando queria tentar), eu topei entrar na transição capilar porque a Carol e eu temos uma amizade baseada no "Bora? Bora!". Ela também usava química para alisar há anos e topamos ao mesmo tempo. Uma apoiando a outra, não deixando cair em tentação de fazer um alisamentozinho, trocando dicas de hidratação, muitos cronogramas capilares (o primeiro em conjunto está AQUI) e trocas de produtos. 

Fotos entre 2017 e 2019.
Queria que muitas tivessem esse apoio e companhia como eu tive, mas eu sei que não é possível para todas. Lá por tantas na transição eu olhava no espelho e não reconhecia aquela mulher com aquele cabelo, mas hoje eu não consigo me reconhecer sem os cachos e toda maleabilidade deles: com os cabelos ao natural eu posso ficar cacheada com finalização, posso não passar creme nenhum e seja o que deus quiser e fazer escova (o que é raro, mas acontece).
Foram muitas tentativas de produtos nesses últimos anos, mas muito conhecimento sobre o que dá ou não certo e algo que foi muito certo foi ter essa companhia. Eu estou batendo nessa tecla pois passei por duas situações nesses primeiros meses de 2020:
- A primeira foi estar em um salão de beleza fazendo as unhas e uma das moças falou, com certa tristeza, que sempre desistia. Todas as mulheres na vida dela são 8 ou 80: ou nunca passaram por química e odeiam seus cabelos ou ainda usam química e não querem abrir mão disso. Já tentou, mas sempre acaba arregando e voltando para a química. Tentei incentivar, contei minha história (até porque é o mesmo salão que fiz química pela primeira vez há anos atrás e frequento há metade da minha vida) e fiquei meio de torcedora particular, mas ela continua na química. Quem sabe um dia...

- A segunda situação foi a mais difícil: uma pessoa muito próxima a mim estava ao celular e falou "Credo! Olha isso, Renata" e me mostrou a tela do celular. Era uma moça, negra com seu cabelo crespo (lá pelo 4C para cima) e a pessoa falou "Isso não é nem cabelo". Aquilo me bateu, sabe? Parece que senti um soco no meio do peito. Aquilo doeu porque quantas vezes eu não ouvi que cabelo cacheado e crespo é feio... O preconceito vem bem de perto e bateu um estalo: Talvez se eu não tivesse visto tantas centenas de vezes as pessoas rejeitarem esses tipos de cabelos, talvez eu não tivesse me sujeitado a esse padrão de beleza tão sujo, que ferra a nossa saúde em prol de quê? De pseudo-aceitação.
É verdade que eu já ouvi sei lá quantas vezes que fico melhor de cabelo liso (mesmo sem nunca ter perguntado para NINGUÉM). Hoje eu sei que sem finalizar, meu cabelo está lá na curvatura 2 (saiba a sua curvatura AQUI), mas quando finalizo (mesmo sem muita paciência ou técnica), ele está lá na casa 3 e eu nem sabia de nada disso crescendo sabe por quê? Porque não tinha ninguém de exemplo com o mesmo cabelo que eu precisava desse exemplo na infância / adolescência. 
Eu desejo é que mais mulheres se libertem SIM dessa prisão, dessa pressão de "ficar bonita". Até porque beleza é relativo e você está tentando impressionar a quem? É escolha sua ou está apenas achando que todo mundo vai te olhar torto? Eu te garanto que não tem nada mais leve do que liberdade e não tente se mudar por ninguém. Só você vale a pena.
Um beijo e até a próxima.

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